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17 DE OUTUBRO DE 2018

Fórum vê 'ações conjuntas' como solução para a praça José Bonifácio


Primeira reunião do Fórum Permanente em Defesa da Praça José Bonifácio, de iniciativa de Lair Braga, foi realizada nesta quarta-feira, na Câmara.



EM PIRACICABA (SP)  

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A necessidade de ações em conjunto foi o principal ponto defendido na reunião inaugural do Fórum Permanente em Defesa da Praça José Bonifácio, ocorrida na Câmara na tarde desta quarta-feira (17). Integrantes da gestão Barjas Negri (PSDB), representantes de entidades de classe, da Polícia Militar e da Guarda Civil Municipal e profissionais de outras áreas, como assistência social, participaram do encontro, promovido pelo vereador Lair Braga (SD).

A reunião listou os principais problemas da praça José Bonifácio, deu oportunidade para cada segmento expor suas insatisfações e sugestões de medidas que podem ser adotadas e mostrou como o Poder Público ––secretarias municipais e autoridades de segurança––– tem agido no caso. "Não adianta termos ações isoladas. Promover essa discussão com todos, neste fórum, já mostra um grande avanço", disse Evandro Evangelista, secretário municipal de Trabalho e Renda.

Lair Braga destacou que o Orçamento de 2019, cuja peça enviada por Barjas Negri será votada pela Câmara, prevê R$ 450 mil para a revitalização do principal cartão-postal do Centro da cidade. "Sempre tive a palavra do prefeito de que a praça passaria por reforma, mas perguntava quando isso aconteceria", disse o vereador, que apresentou emendas em 2017 e neste ano, rejeitadas em votação, destinando R$ 950 mil para tal finalidade.

Titular da Sedema (Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente), José Otávio Machado Menten afirmou que a expectativa é de que os R$ 450 mil sejam "fatiados" em até quatro licitações, que visariam à recuperação do piso, à melhora da iluminação, à reformulação da área ocupada pelo parque infantil e ao novo projeto paisagístico para o local.

"No que compete à Sedema, já estamos elaborando projetos para, o quanto antes, começar a fazer as intervenções dentro das possibilidades orçamentárias. A grande preocupação é trazer a praça de volta à população, de modo que cada centavo investido resulte em um efeito positivo ––seria frustrante o contrário", comentou Menten.

Conforme o plano inicial, o piso de toda a praça receberia reparos ––a troca completa está descartada––, com foco na instalação de superfície tátil, para pessoas com deficiência visual, no trecho entre o ponto de ônibus atrás da Catedral e o Poupatempo. Os investimentos na estrutura elétrica abrangeriam melhora na iluminação, manutenção das tomadas e instalação de internet wifi, "para atrair o pessoal que quer usar celular e computador", como salientou Menten.

Ainda segundo o secretário, a área que hoje abriga o parque infantil passaria por "modernização", com o rebaixamento do piso atual e a colocação de aparelhos de ginástica, à semelhança das quase 80 academias ao ar livre hoje espalhadas pela cidade. Já o novo paisagismo priorizaria as flores ––Menten disse que, embora a opção gere maior gasto com manutenção, mais empresas podem se interessar em cuidar do espaço por meio do projeto "Adote uma área", da Sedema.

Evandro Evangelista declarou que os planos da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda abrangem três frentes: aumentar dos atuais 14 para 25 o número de comércios ambulantes autorizados a atuar na praça, mas os realocando; adotar um modelo padrão de trailers, estimulando seus proprietários à troca, por meio da obtenção de crédito no Banco do Povo; e promover uma vez por mês, das 18h às 22h, evento cultural que ofereça à população opções gastronômicas e apresentações musicais.

"Já tivemos duas reuniões na secretaria para ouvir a necessidade dos ambulantes. Chamei a atenção deles para 'desapegarem' de seus pontos. Os pontos ali não são deles; eles têm somente a autorização para usá-los. Hoje há 14 pontos, sendo oito de alimentos, que ficam justamente onde não deveriam estar, na área em que mais se concentram os pombos", comentou Evandro, acrescentando que a Procuradoria Geral do município está elaborando projeto de lei a ser enviado à Câmara para "dar melhores condições de trabalho aos ambulantes que estão na praça".

SOCIAL - As ações relacionadas aos moradores em situação de rua dominaram boa parte das intervenções durante a primeira reunião do fórum. Lucimara Huert, coordenadora do Centro Pop (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), disse que a principal dificuldade é convencer a pessoa a deixar a praça e buscar ajuda em serviços de assistência social oferecidos pelo Poder Público.

"A questão do morador de rua é complexa, porque não podemos obrigá-lo a nada. Temos o serviço lá, mas só trabalhamos com o convencimento, nada além disso. Não conseguimos tirá-los de lá à força; teria de ser um trabalho conjunto com outras secretarias", ponderou Lucimara.

A coordenadora do Centro Pop vê a ajuda oferecida por voluntários e grupos ligados a igrejas ––os quais distribuem comida e kits de higiene–– como motivadora para a permanência na praça dos moradores em situação de rua. "Fizemos duas reuniões, uma em agosto e outra em setembro, com todos esses grupos: deram-se conta de que a metodologia do trabalho deles não está levando a nada", observou.

Comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar, responsável pela região, o primeiro-tenente Emanoel Oliveira disse que hoje o principal problema de segurança no Centro "não é especificamente a praça, mas o trecho entre o Terminal Central e o Teatro Municipal". "São pessoas que dormem na praça e que acabam praticando roubos no comércio. É o morador de rua que assalta? Não, as características não são de morador de rua. Entre eles, há pessoas que não querem estar lá, mas estão por não terem alternativa, e pessoas com má intenção, que usam essa camuflagem para praticar crimes", refletiu.

Oliveira defendeu a necessidade de "criar alternativas para que a praça fique menos atrativa" do que os lugares que os moradores em situação de rua deveriam de fato procurar. "Temos que mudar a abordagem. Somos seres humanos e agimos por estímulo. Qual o estímulo para dormir na praça? Lá eles conseguem que alguém lhes dê esmola, traga alimentação. Então por que sair da praça? Eles estão lá porque os estímulos que têm sugerem que a praça é o melhor lugar para ficar."

Em virtude da proximidade do Natal, Lucimara propôs a realização de uma campanha de conscientização para que a população evite doar colchonetes aos moradores em situação de rua. "Se eles não se sentirem incomodados, não vão sair [da praça]. Quanto mais se sentem confortáveis, menos vêm aos nossos serviços. A própria população acaba mantendo o morador na rua", afirmou.



Texto:  Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343
Imagens de TV:  Emerson Pigosso - MTB 36.356 Murilo Bonini
Reportagem de TV:  Marcelo Bandeira - MTB 33.121 Isabela Sabéllico
Edição de TV:  Emerson Pigosso - MTB 36.356 Murilo Bonini


Tópicos: CidadaniaLair Braga

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