PIRACICABA, DOMINGO, 19 DE MAIO DE 2019
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15 DE MARÇO DE 2019

Rosângela Pereira faz apontamentos pelo Dia Internacional da Mulher


Dados estatísticos demonstram que o machismo e preconceito ainda imperam no sistema bancário, onde apenas 1% das mulheres são negras



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 Salvar imagem em alta resolução

Rosângela Pereira faz apontamentos pelo Dia Internacional da Mulher






Diretora do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região, funcionária da Caixa Econômica Federal, Rosângela participou da 11ª reunião ordinária, na noite de ontem (14) ao ocupar a tribuna popular da Câmara de Vereadores de Piracicaba, abordando a temática sobre o Dia Internacional da Mulher.

"Hoje, utilizo a tribuna popular não só para representar uma classe de trabalhadores, mas todas as mulheres que lutam para ocupar um lugar na sociedade. Represento 52% da categoria bancária em Piracicaba. Um pouco de quem está retratado no Perfil da Mulher Bancária, que faz parte da programação do mês da mulher realizada pelo Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região. Na última sexta, dia 8, realizamos um grande ato em frente à Catedral de Santo Antonio, em que representamos 148 mulheres mortas em SP em 2018, com sapatos nas escadarias.

Rosângela citou pesquisa que deu resultado ao Perfil da Mulher Bancária. Comentou sobre a reforma da Previdência, em que mulheres só poderiam se aposentar aos 62 anos. “Grande parcela das bancárias não atingirá o requisito para se aposentar”, disse.

Segundo Rosângela, 1% das mulheres são negras no sistema financeiro, conforme a pesquisa. “Não é só o machismo que existe, mas o preconceito. Dificilmente você vê os negros em altos cargos. Estou muito feliz, é a primeira vez que utilizo a tribuna e completo 29 anos de Caixa. É orgulho ter sido Guarda Mirim. Além de negra, pobre, é difícil chegar, e precisamos de muita luta e representatividade. Dificilmente uma mulher negra, com a minha idade, conseguirá se aposentar na minha idade.”

Segundo ela, são 25 homens negros, entre os 1210 entrevistados. Citou exemplo de um amigo que gostava de usar cabelo black-power e que foi exigido que ele não usasse o cabelo.

A pesquisa também traz dados de escolaridade, cargos ocupados, período de permanência e faixa salarial. “As mulheres ainda ocupam os menores cargos, por isso não gerenciam as maiores carteiras”, disse.

Rosângela ainda comentou sobre a Reforma da Previdência, onde serão necessários 40 anos de contribuição para requerer a aposentadoria, considerando que se fosse esse o critério apenas 27 profissionais estariam aptos.

“Por favor, menos preconceito, menos racismo. A mulher negra pensa sempre que só pode ser empregada doméstica, mas isso não é verdade. Marielle, presente!”, concluiu a sindicalista. 



Texto:  Martim Vieira - MTB 21.939
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343
Imagens de TV:  TV Câmara


Tópicos: Tribuna Popular

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