PIRACICABA, QUINTA-FEIRA, 27 DE JULHO DE 2017 Aumentar tamanho da letra
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06 DE JULHO DE 2016

Revolução Constitucionalista de 1932


Revolução de 32



EM PIRACICABA (SP)  

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Batalhão Piracicabano, Batalhão 7 de Setembro, Batalhão Barbosa e Silva, Coluna Adauto Melo, Esquadrão Coronel Artigas, Regimento Esportivo


A entrada do gaúcho Getúlio Vargas à presidência, pôs um fim na chamada política do café com leite: depôs o presidente Washington Luís (1930) e impediu a posse do paulista Júlio Prestes, desagradando as elites paulistas, representadas pelo Partido Republicano Paulista (PRP), que viram não só o poder sobre a política brasileira ser perdido, como presenciaram, também, o então estado mais rico da federação ser submetido a uma situação de submissão.

Uma das primeiras medidas do governo federal ao assumir foi dissolver o legislativo em todas as esferas (federal, estadual e municipal). Enquanto outros estados ganharam interventores nascidos neles, São Paulo teve que se contentar com militares de outros locais, já que o Partido Democrata, que era a favor da revolução de 30, não conseguiu indicar ninguém para o cargo. Além disso, viram o major Miguel Costa, expulso da Polícia Militar por tentar derrubar o governo em 1924, assumir o comando da corporação.

As pressões sobre Getúlio Vargas começaram. As forças políticas e econômicas de São Paulo exigiam uma nova Assembleia Constituinte, novas eleições e o fim do governo provisório. Em dois anos passaram pelo governo do estado quatro interventores federais. Nenhum deles conseguiu manter o controle.  As intervenções da ditadura varguista eram constantes e desagradavam cada vez mais a oposição em São Paulo.

Em 1932 a capital era um barril de pólvora. Grandes comícios começaram a acontecer na capital paulista. No dia 23 de maio um comício de estudantes da Faculdade São Francisco, que protestavam contra a intervenção de Osvaldo Aranha (representante da ditadura) no governo de Pedro de Toledo, tentou invadir o clube 3 de Outubro, onde se concentravam os membros da Liga Revolucionária que apoiava a ditadura. O grupo foi recebido a balas. Cinco jovens morreram no confronto: Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo Camargo de Andrade e Orlando de Oliveira Alvarenga (incluído depois na lista). As inicias de seus nomes - MMDC - foi o nome escolhido pelo movimento de oposição à ditadura, que começava a planejar a luta armada.

O MMDC ganhou apoio do povo paulista e de seus principais partidos, o PRP e o Partido Democrata. Em 9 de julho as forças paulistas lideradas pelo General Isidoro Dias Lopes tomaram o estado e iniciaram a marcha para o Rio de Janeiro. Acreditava-se que Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul ajudariam enviando forças para retirar Getúlio Vargas do poder – o que não aconteceu.  Movimentos isolados ocorreram no Rio Grande e no Mato Grosso e foram facilmente destruídos. Em pouco tempo, São Paulo, que planejava uma ofensiva rápida contra a capital, se viu cercado por mais de 100 mil tropas federais.

Se os outros estados não vieram ajudar, o mesmo não se pode dizer do povo paulista que, mesmo diante de um movimento articulado pelas elites do estado, se mobilizou para ajudar seus exércitos: mais de 200 mil voluntários, sendo 60 mil combatentes. Mas houveram outras dificuldades.

Praticamente sitiado, São Paulo não teve alternativa para conseguir armamentos. Passou a arrecadar ouro doado por seus moradores e tentou comprar armas dos Estados Unidos, mas o navio foi interceptado pela Marinha.

Com tantos problemas, a revolução foi derrotada. Em 2 de outubro, na cidade de Cruzeiro, as forças paulistas se entregaram ao líder da ofensiva federal. Apesar de ter sido derrotado no campo de batalha, politicamente o movimento atingiu seus objetivos. A luta pela constituição foi fortalecida e, em 1933 as eleições foram realizadas colocando o civil Armando Sales como Governador do Estado de São Paulo.



Texto:  Fábio Bragança


Tópicos: História

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