PIRACICABA, TERÇA-FEIRA, 2 DE JUNHO DE 2020
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22 DE MAIO DE 2020

Especialista ensina como identificar e combater o 'Aedes aegypti'


Biólogo Marcio Ermida, do Centro de Controle de Zoonoses de Piracicaba, participou de live promovida pela Escola do Legislativo nesta sexta-feira.



EM PIRACICABA (SP)  

Live foi promovida pela Escola do Legislativo, dirigida pela vereadora Nancy Thame

Live foi promovida pela Escola do Legislativo, dirigida pela vereadora Nancy Thame

Live foi promovida pela Escola do Legislativo, dirigida pela vereadora Nancy Thame

Live foi promovida pela Escola do Legislativo, dirigida pela vereadora Nancy Thame

Live foi promovida pela Escola do Legislativo, dirigida pela vereadora Nancy Thame

Live foi promovida pela Escola do Legislativo, dirigida pela vereadora Nancy Thame

Marcio deu dicas de como identificar e combater o mosquito

Marcio deu dicas de como identificar e combater o mosquito

Marcio deu dicas de como identificar e combater o mosquito

Marcio deu dicas de como identificar e combater o mosquito

Marcio deu dicas de como identificar e combater o mosquito

Marcio deu dicas de como identificar e combater o mosquito
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Marcio deu dicas de como identificar e combater o mosquito



Com linguagem didática, o biólogo Marcio Ermida, que atua como orientador pedagógico no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Piracicaba, apresentou a internautas as principais características do "Aedes aegypti", mosquito transmissor da dengue (e também de doenças como zika e chikungunya). Ele falou sobre o tema em live no Instagram promovida pela Escola do Legislativo, da Câmara de Vereadores de Piracicaba, na tarde desta sexta-feira (22).

Mediada pela vereadora Nancy Thame (PV), diretora da Escola, a participação de Marcio trouxe esclarecimentos sobre como identificar o mosquito e combater sua proliferação. O biólogo destacou que a dengue é tida pela Organização Mundial da Saúde como doença grave, cuja variação hemorrágica pode levar a óbito. Em Piracicaba, após os 4.180 casos registrados no ano passado, 2020 soma, até agora, 774, concentrados, principalmente, na região leste da cidade, seguida pela oeste.

O orientador pedagógico explicou que o papel do CCZ é atuar na prevenção, com foco nos vetores, das doenças transmitidas de animais para seres humanos. O órgão conta com agentes que, sob as diretrizes do Plano Municipal de Combate ao Aedes, visitam residências e empresas, respondem aos pedidos de atendimento via telefone 156 e promovem atividades e palestras de orientação.

Baseado em conclusões científicas, Marcio listou aspectos que ajudam a identificar o "Aedes aegypti": trata-se de um inseto que vive estritamente em ambiente urbano, alimenta-se e depende de sangue humano e tem hábito diurno (à noite, em geral, esconde-se debaixo de mesas e dentro de armários, por exemplo). Mede cerca de 9 milímetros, é listrado em preto e branco, não tem zumbido audível e seu voo alcança aproximadamente 200 metros na horizontal e de 1,5 metro a 2 metros na vertical.

Esse alcance restrito, aliás, faz com que o "Aedes aegypti" tenha característica "domiciliar", segundo Marcio. "95% da infestação está em residências. Ele fica onde nasce, não voa mais do que 5 metros de onde nasceu", afirmou.

O mosquito vive em média 30 dias. "Ele cruza entre 24h e 48h após nascer, só cruza aquela vez. A fêmea sai para pôr os ovos, de 100 a 150 a cada 10 dias. Ela vai procurar recipientes para colocá-los, não põe o ovo na água. Ela pode pôr num recipiente seco, sem água nenhuma, na borda, pois o ovo sobrevive no recipiente seco", contou Marcio, que falou da relação que há entre água parada e a proliferação do mosquito.

"Uma vez que se acumulou água no recipiente, para nascer o mosquito leva em torno de 7 a 8 dias: em dois dias, sai a larva de dentro do ovo; depois, em quatro dias a larva se transforma em pupa; e, em mais dois dias, a pupa vira o mosquito."

O biólogo foi enfático em relacionar o combate ao "Aedes aegypti" à eliminação dos criadouros, tarefa que, para ser cumprida dentro de casa, requer apenas 15 minutos por semana, ressaltou. "É fácil combater o mosquito. Tem que tirar da população a ideia de fumacê, veneno. O veneno só vai matar o adulto, não o ovo nem a pupa. Não adianta usar, pois causa a resistência do mosquito. O uso indiscriminado acaba selecionando os mosquitos mais resistentes."

"Prevenção é não deixar o 'Aedes' existir, eliminando os recipientes onde a fêmea põe os ovos para o mosquito nascer. Ela não põe 100 ovos no mesmo recipiente; ela espalha nos recipientes que existem na casa, num intervalo de horas. Sugando o sangue, ela matura os ovos dentro dela e já está apta para pôr, só precisa achar os recipientes para colocar", continuou.

Marcio destacou que somente a fêmea é quem pica, e ela se alimenta do sangue de 5 a 20 pessoas por dia: uma vez que suga um indivíduo que está com dengue, "depois de 5, 6 dias ela começa a transmitir o vírus para outras pessoas". "Não passa no mesmo dia, a não ser que seja na mesma hora. Fora isso, só transmite depois que o vírus multiplicar-se dentro dela", explicou.

O biólogo alertou que os sintomas da dengue (febre alta, dor de cabeça, dores no corpo, manchas vermelhas, diarreia, vômito, cansaço) são comuns a outras doenças e que "dificilmente" uma pessoa vai ter todos eles, mas nos casos em que os três primeiros surgem deve-se procurar atendimento "imediatamente". "A anamnese é importantíssima para o médico", salientou.

DICAS - Marcio apontou que muitas pessoas ainda associam o mosquito a sujeira e a plantas em vasos, apenas, quando outros meios são igualmente facilitadores da proliferação, como calhas, ralos, caixas d'água, piscinas e recipientes.

"Recomendamos colocar na terra qualquer tipo de planta, não manter vaso dentro de casa e não manter o pratinho embaixo; se tiver, coloque de cabeça para baixo ou justaposto ou preencha o espaço vazio do prato com espuma, em vez de areia, porque é comum ficar uma camada de água sobre a areia. Não precisa deixar água no pratinho para a planta ir tirando aos poucos, ja que ela tira da terra", aconselhou.

Outras dicas incluem usar ralo abre-e-fecha, guardar ensacados em local encoberto pneus e garrafas de cabeça para baixo e lavar o bebedouro de animais pelo menos uma vez por semana. "A fêmea adora superfície escura, por isso os vilões são pneus e caixas d'água. Ela coloca o ovo, que é clarinho e do tamanho de um pontinho feito com lápis no papel, e, em menos de uma hora, ele fica escurecido, ficando protegido se tiver algum predador."

Marcio condenou a utilização de armadilhas que, com a premissa de combater a proliferação, acabam gerando efeito contrário. "Virou moda a armadilha de mosquito, que é feita com garrafa pet cortada com água parada. Acham que colocando a armadilha se combate, mas estão atraindo a fêmea. Se ela estiver contaminada, com o vírus que pegou de alguém doente, e for para sua casa, ela vai intensificar a picada, porque antes de colocar os ovos ela vai se alimentar muito. Quem coloca armadilha não elimina o criadouro. É antipedagógico", sentenciou.

O orientador pedagógico do Centro de Controle de Zoonoses defendeu que a população use o período da quarentena em prevenção à Covid-19, já "que precisa ficar dentro de casa, para verificar se tem criadouro". Ele disse esperar que as iniciativas de combate à dengue provoquem "mudança de hábitos". "Precisa haver um envolvimento", defendeu. 

Nancy Thame falou do desafio de levar a conscientização por meio de ações educativas. "Os projetos para isso são os mais difíceis para atingirmos. É um trabalho incessante, que não tem uma resposta a curtíssimo prazo, faz parte da educação mesmo. São as ações do coletivo que vão afetar cada um de nós."



Texto:  Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343


Escola do Legislativo Nancy Thame

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