PIRACICABA, TERÇA-FEIRA, 18 DE JUNHO DE 2019
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23 DE ABRIL DE 2019

Erler rebate governo e contesta argumentos pró-reforma da Previdência


Vereador atacou sigilo imposto aos dados que embasam a proposta em análise e ironizou a defesa da reforma feita por quem recebe aposentadoria de grande valor.



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 Salvar imagem em alta resolução

Matheus Erler abordou por duas vezes o tema na tribuna, durante a reunião ordinária desta segunda






Argumentos usados pela base do governo federal para defender o texto da reforma da Previdência sob análise na Câmara dos Deputados foram rebatidos pelo vereador Matheus Erler (PTB), na tribuna, durante a reunião ordinária desta segunda-feira (22). O parlamentar também atacou o sigilo imposto pela equipe de Jair Bolsonaro (PSL) a dados que embasam a proposta de emenda à Constituição 6/2019 e ironizou o posicionamento favorável à reforma de pessoas que recebem aposentadorias de alto valor.

Erler contestou a afirmação de que o dinheiro de uma suposta economia com a reforma da Previdência será revertido para a saúde. O vereador lembrou que a aprovação, em 2016, da emenda constitucional 95 congelou as despesas do governo federal por até 20 anos, com correção apenas pela inflação. "Esse argumento de que se vai tirar da Previdência para investir na saúde é mais uma mentira do atual governo", declarou.

Outro ponto rebatido pelo vereador, que comanda o Fórum Permanente da Previdência, do Trabalho e do Idoso na Câmara, é a alegação de que o pagamento de benefícios ao trabalhador rural acumula déficit. "A Presidência da República diz que há um déficit no regime rural, porém esses benefícios não são pagos pelos trabalhadores urbanos."

"O fundo para aposentadorias e pensões rurais sai de outras fontes de custeio, não do nosso bolso ––do nosso sai para pagar as aposentadorias e pensões por morte urbanas", esclareceu o vereador, que vê na estratégia uma tentativa de "culpabilizar os trabalhadores rurais, sob o argumento de que a conta deles somos nós que pagamos". "Mentiu antes, mente hoje e vai continuar mentindo", disse Erler, sobre o governo federal.

A gestão Jair Bolsonaro também foi criticada pelo vereador por impor sigilo aos dados que embasaram a proposta enviada ao Congresso Nacional. Erler comparou o fato, que ganhou o noticiário no último domingo (21), após reportagem da "Folha de S.Paulo", ao empenho da Câmara de Vereadores de Piracicaba em dar transparência às suas ações.

"Enquanto a Câmara apresenta o projeto Parlamento Aberto, que vai ao encontro do que a sociedade hoje quer e precisa, que é transparência e participação política, lamentavelmente, de forma antagônica, o governo federal age de maneira extremamente maldosa, escondendo os dados da Previdência. Quanto mais esconde, [para o governo é] melhor", disse Erler.

"Não há por que decretar sigilo de informações que são públicas. Se esconde, é porque algo não deve ser mostrado e alguma coisa de irregular tem", completou o vereador, que classificou a tentativa de mudar o regime geral como "crime lesa-humanidade e atentado histórico contra a Constituição". "É uma reforma não da Previdência, mas contra a Previdência e contra os direitos sociais", resumiu.

Erler ainda criticou aqueles que, por hoje receberem uma aposentadoria de alto valor, "estão pouco ligando" para a reforma e citou como exemplo a aposentadoria de policiais militares, "uma das mais generosas do Brasil". "A Polícia Militar tem regras diferentes, aposenta-se antes em decorrência do risco de morte. A aposentadoria de um coronel é em torno de R$ 18 mil a R$ 20 mil e há quem receba R$ 25 mil, enquanto a média de um aposentado do INSS é de R$ 1.200."

"É tão 'gostoso' defender uma reforma quando sou aposentado com R$ 25 mil, é tão 'delicioso' falar que tem que reformar a Previdência... A pessoa ergue a bandeira verde-amarela e grita 'Bolsonaro, mito', para todo mundo ouvir, ganhando R$ 25 mil por mês", ironizou Erler. "É muito cinismo defender essa reforma quando cai na conta todo mês o dinheiro da aposentadoria de R$ 18.800", completou.



Texto:  Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343
Imagens de TV:  TV Câmara


Tópicos: LegislativoMatheus Erler

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