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31 DE OUTUBRO DE 2017

Praça Tibiriçá poderá abrigar Memorial Afro-brasileiro de Piracicaba


Restos mortais de antigos escravos estariam enterrados na praça Jorge Tibiriçá onde está situada a Escola Estadual Moraes Barros, rua Alferes José Caetano, Centro



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Fabrice Desmonts - MTB 22.946 Salvar imagem em alta resolução

Praça Tibiriçá poderá abrigar Memorial Afro-brasileiro de Piracicaba




O provedor da Irmandade de São Benedito de Piracicaba, José Mariano, 83, voltou a ocupar a tribuna popular da Câmara, na 63ª reunião ordinária de 2017, nesta quinta-feira (30) para defender a criação do Memorial Afro-brasileiro de Piracicaba, a ser implantado nas dependências da praça Jorge Tibiriçá, onde está situada a Escola Estadual Moraes Barros, envolvendo o quadrilátero das ruas do Rosário, Prudente de Morais, Alferes José Caetano e Treze de Maio, na região central da cidade.

"Seria um momento de Piracicaba homenagear a memória daquelas pessoas que sofreram por esta cidade, para um dia ela se tornar o que é, porque o negro sempre foi e ainda é judiado em Piracicaba. Isto eu não discuto com ninguém, pois vivo neste meio e sei o que se passa", disse Mariano, que informou estar em conversa com um engenheiro e uma arquiteta, em tratativas na prefeitura, sobre a possibilidade de viabilizar o projeto, levando em conta os registros históricos que comprovam a destinação do local, que serviram de cemitério de africanos escravizados em Piracicaba.

José Mariano também aproveitou a oportunidade para pedir apoio dos parlamentares no sentido de restaurar a igreja de São Benedito. "Está feia, e ninguém olha. Então, estou usando a tribuna hoje, pedindo para que todas as pessoas, que sejam devotas ou não de São Benedito, que façam levantamentos visando arrecadar recursos para recuperação da igreja e também para a implantação do memorial, o que não demandará muitos recursos", disse.

Mariano também fez uma reflexão do que representou a praça Tibiriça, numa Piracicaba que tinha cinco mil escravos, sendo que com o surgimento do cemitério da Saudade, as pessoas brancas, de posses, puderam levar os seus entequeridos para lá. "Os pobres, negros africanos escravizados, que não tinham para onde ir ficaram jogados alí. Então, acho que não é nada demais aprovar um projeto assim. Então, que se construa um memorial em nome dos negros. Se Piracicaba tem hoje o que é, isto é porque teve um povo que também sofreu para construir esta riqueza", disse.

Mariano ainda considerou a extensão de Piracicaba na época, que tinha os seus limites até na região de Araraquara, sendo que não tinha tanta gente além dos escravos. Também disse que todo escravo que morria, a Irmandade de São Benedito era responsável pelas pessoas, onde os corpos eram colocados ao lado da igreja e a Irmandade é que tomava as providências.  

Para Mariano, a criação do memorial será importante para marcar a história deste período, de pessoas que sofreram e viviam sob chibatadas, passando por um momento terrível. "Eu falo isso porque sou neto de escravo. A minha avó, Maria Valêncio era escrava, morava na região do bairro Campestre", disse.

Na defesa do Memorial, o provedor da Irmandade ressalta que este projeto será um referencial para a cidade, de reconhecimento ao legado de um povo. Também falou da condição da Igreja de São Benedito ser a primeira da cidade, numa época em que a Categral de Santo Antonio era a Matriz, sendo que aquela Capelinha cresceu. "Quando foi para Piracicaba se transformar em Diocese, ela própria usou aquela Capelinha, aquela igreja que ela tanto desprezou  e, como despreza até hoje", concluiu o provedor.

José Mariano também reservou parte de sua fala para informar sobre uma reunião, nesta quarta-feira, às 10h15, na prefeitura,  sendo que estranhou a rapidez com que foi atendido para esta reunião. "A semana passada, na terça-feira, por volta das 10 horas protocolei um papel no Centro Cívico, sendo que quando foi às 14 horas protocolei outro papel na Diocese. E, quando foi quarta-feira à tarde, o telefone tocou, ocasião em que a assessora do Miromar disse que quarta-feira agora, às 10h15 eu tenho que estar lá", disse Mariano, estranhando o quão rápido a prefeitura se manifestou, visto que em ocasiões anteriores, quando protocola papel lá ninguém lhe atende, sendo que agora, num simples papelzinho, de pronto, foi atendido, com a recomendação de que tomasse cuidado, pois o ambiente para ele lá não é muito bom. "Sabe como é, eu fiquei pensativo né. Mas, não pensem em me amedrontar, pois eu não corro muito fácil das coisas não", disse

Mariano também comentou sobre o entorno do terreno da Câmara, que envolve a Igreja de São Benedito. "Eu forneci cópia de documento para o históriador Fábio Bragança, um papel do que se passa este terreno aqui. Este papel eu peguei no Fórum e, enviei uma cópia para São Paulo. Se alguém quizer saber o que foi feito desta área é só pegar com Fábio", disse Mariano, que mais uma vez agradeceu a Câmara de Vereadores pela acolhida à sua pessoa, dando voz ao seu clamor.

Mariano encerrou suas considerações reiterando a disposição de campanha visando a reforma da Igreja de São Benedito e a construção do memorial Afro-brasileiro em Piracicaba, sendo que os interessados poderão contribuir depositando diretamente numa conta bancária específica que deverá ser aberta em nome da Irmandade de São Benedito.



Texto:  Martim Vieira - MTB 21.939
Imagens de TV:  TV Câmara


Tópicos: Legislativo

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