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23 DE NOVEMBRO DE 2017

Evento chama a atenção para violência 'mascarada' contra mulheres


Ato na Câmara, nesta quinta-feira, marcou o início dos "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher".



EM PIRACICABA (SP)  

Foto: Lucas do Nascimento Machado (1 de 15) Salvar imagem em alta resolução

Ato na Câmara, nesta quinta-feira, reuniu cerca de 50 pessoas para discutir violência contra a mulher

Ato na Câmara, nesta quinta-feira, reuniu cerca de 50 pessoas para discutir violência contra a mulher
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Evento marcou o início dos "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher"

Evento marcou o início dos "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher"
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Psicóloga da Defensoria Pública do Estado de São Paulo expôs estatísticas da violência contra a mulher no Brasil

Psicóloga da Defensoria Pública do Estado de São Paulo expôs estatísticas da violência contra a mulher no Brasil
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Karina Pereira Sabedot denunciou formas de violência "mascaradas" que atingem a mulher no Brasil

Karina Pereira Sabedot denunciou formas de violência "mascaradas" que atingem a mulher no Brasil
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A vereadora Nancy Thame

A vereadora Nancy Thame
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A chefe de gabinete de Nancy Thame, Marilda Aparecida Soares

A chefe de gabinete de Nancy Thame, Marilda Aparecida Soares
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A representante do Coletivo Marias de Luta, Pâmela Cristina de Oliveira

A representante do Coletivo Marias de Luta, Pâmela Cristina de Oliveira
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A vereadora Coronel Adriana com a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Eliete Nunes

A vereadora Coronel Adriana com a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Eliete Nunes
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A advogada e empreendedora Amanda Cassanji

A advogada e empreendedora Amanda Cassanji
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A diretora do Centro de Ressocialização Feminino de Piracicaba, Celeste Albamonte

A diretora do Centro de Ressocialização Feminino de Piracicaba, Celeste Albamonte
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A secretária municipal de Desenvolvimento Social, Eliete Nunes

A secretária municipal de Desenvolvimento Social, Eliete Nunes
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A presidente do Conselho Municipal da Mulher, Laura Queiroz

A presidente do Conselho Municipal da Mulher, Laura Queiroz
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Karina, Nancy e Marilda, na mesa-redonda formada durante o ato

Karina, Nancy e Marilda, na mesa-redonda formada durante o ato
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A psicóloga e empreendedora Paula Batistela

A psicóloga e empreendedora Paula Batistela
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A ativista Raíssa Almeida, do Casvi

A ativista Raíssa Almeida, do Casvi
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Evento marcou o início dos "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher"



Uma causa que não é de 50, mas de 105 milhões de mulheres, e que pede uma luta não de 16, mas de 365 dias.

O evento que marcou o início, em Piracicaba, dos "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher" expôs as diferentes formas de discriminação, assédio e subjugo que atingem a população feminina no Brasil e debateu pontos que podem indicar saídas, a médio e longo prazos, para a redução da desigualdade entre gêneros.

Cerca de 50 pessoas participaram da roda de discussão promovida pela vereadora Nancy Thame (PSDB), na tarde desta quinta-feira (23), na sala de reuniões B do prédio anexo da Câmara. A diversidade de pontos de vista foi garantida com a presença de líderes de coletivos feministas, representantes de entidades e profissionais liberais.

"Este é um espaço que abrimos à cidade chamando integrantes de movimentos para colocarem sua voz nessa construção. É importante essa teia que se forma coletivamente para as transformações que queremos. Sabemos que na sociedade há vozes divergentes, por isso o desafio do momento é o diálogo, encontrar o caminho do meio", disse Nancy.

Chefe de gabinete da vereadora, Marilda Aparecida Soares destacou que 2017 marca o primeiro ano dos "16 Dias de Ativismo" em Piracicaba. "Embora várias entidades da cidade já venham há alguns anos realizando ações, é o primeiro deste calendário oficial dentro do Legislativo. No Brasil, essas atividades têm ganhado corpo e feito parte de políticas públicas de enfrentamento da violência contra a mulher."

VIOLÊNCIA - Psicóloga da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Karina Pereira Sabedot denunciou formas de violência "mascaradas" que atingem a mulher no Brasil. Ela citou como exemplos a legislação sobre o aborto no país, o assédio sexual no ambiente de trabalho e a média de ganho salarial 30% menor em relação aos homens no desempenho das mesmas funções.

Ao exibir dados sobre as ocorrências de estupro registradas no Brasil, Karina chamou a atenção para os casos que não são notificados e, portanto, deixam de integrar as estatísticas. "O Brasil tem uma média de um estupro a cada 11 minutos. Estima-se que esses sejam apenas 10% dos casos, de um total de quase meio milhão de estupros a cada ano", comentou, ao observar que cerca de 70% das vítimas são crianças e adolescentes, alvos, principalmente, de homens que são próximos a elas (61%).

A psicóloga também abordou os episódios de ataques contra mulheres em meios de transporte públicos, que ocuparam o noticiário com maior destaque neste ano, embora aconteçam há muito tempo. "Será que ocorreram mais casos ou mais casos se tornaram visíveis? É para se pensar", disse, criticando a "tolerância social" que, em geral observada nessas situações, deixa de gerar constrangimento nos autores dos crimes.

"No metrô de São Paulo, registram-se quatro casos de assédio sexual por semana. As respostas governamentais para isso têm sido muito frágeis, com a lógica da segregação da mulher no espaço público [com a proposta de criação de vagões exclusivos para usuárias, por exemplo], em vez da aposta na transformação da cultura, mostrando ao homem que o corpo da mulher é privado", comentou.

Karina defendeu "trabalho continuado" para "romper com esse ciclo", que não ocorrerá "de hoje para amanhã". "Implica necessariamente educação, acesso a formação e mudança de paradigmas. Temos que começar a discutir gênero nas escolas. Somos uma sociedade em que a violência física regula as relações, fazendo parte do cotidiano desde muito cedo no desenvolvimento."

MULHER NEGRA - Tema citado por Karina, a reflexão em torno da violência contra a mulher negra foi aprofundado por Pâmela Cristina de Oliveira. Com base em estatísticas, a representante do Coletivo Marias de Luta enfatizou que "a população negra é vítima prioritária da violência homicida no país", citando a alta de 47% em dez anos registrada pelo Mapa da Violência de 2015.

Pâmela listou as principais formas de violência que atingem a população afrodescendente no país, que vão desde a objetificação do corpo das mulheres até a negligência e insuficiência na garantia do direito à saúde, já que algumas doenças, como a anemia falciforme, as atingem com maior predominância. Ela também questionou a abertura pequena dada pela sociedade à participação da mulher negra. "Se não temos visibilidade, como podemos lutar contra o racismo?", indagou.

A vereadora Coronel Adriana (PPS) apontou a educação como meio de reverter o cenário de violência contra a mulher, mas defendeu a necessidade de punição aos autores de crimes. "O problema está na impunidade, em leis que privilegiam, cada vez mais, o criminoso, como a saída temporária. Enquanto não punir com rigor e fazer com que o homem cumpra a pena que lhe foi imposta, isso não irá se resolver."

Ao falar de sua vivência como diretora do Centro de Ressocialização Feminino de Piracicaba, Celeste Albamonte disse que "o perfil da mulher presa é totalmente diferente do do homem". Além de, em geral, serem abandonadas pela família, elas se empenham mais em ter uma ocupação que lhes garanta uma renda para cobrir as despesas do lar que deixaram. "Hoje o meu empenho ali dentro é buscar mais vagas de trabalho para elas, porque a preocupação delas é com a família, o dinheiro que ganham é mandado para os filhos."

COMO MUDAR - A presidente do Conselho Municipal da Mulher, Laura Queiroz, e a advogada e empreendedora Amanda Cassanji refletiram sobre caminhos possíveis para combater os casos de violência contra a mulher no Brasil.

Para Laura, é preciso priorizar a formação de profissionais das áreas de educação, assistência social e segurança pública. "A discriminação de gênero, de etnia, bem como a violência homofóbica são reproduzidas em todos os espaços. Não bastarão leis se não houver transformação de mentalidades e práticas", disse a ativista, ao cobrar maior interação entre os órgãos que compõem a rede de atendimento à mulher.

Amanda compartilhou a experiência de abordar com outras mulheres temas como empreendedorismo e empoderamento femininos, em meio à ação social que a empresa Vivendo da Nossa Arte, da qual a advogada é sócia, promove ao oferecer cursos de confecção de bonecas de pano. "A partir do momento em que se começa a falar de violência contra a mulher, uma se solidariza com a outra. Percebemos que todas são feministas, independentemente da classe social", disse Amanda, ao defender não apenas 16, mas "365 dias de ativismo".



Texto:  Ricardo Vasques - MTB 49.918
Supervisão de Texto e Fotografia: Valéria Rodrigues - MTB 23.343


Tópicos: CidadaniaNancy Thame

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